Cidades portuguesas reforçam presença nos prémios Capital Verde e Folha Verde da Europa

20 Outubro 2026

Estarreja foi distinguida, a 8 de outubro, com o título Folha Verde Europeia 2028, partilhado com Benidorm, em Espanha. O anúncio aconteceu em Guimarães, atual Capital Verde Europeia, numa cerimónia no Teatro Jordão na qual a Comissão Europeia também revelou a cidade de Saragoça como Capital Verde Europeia 2028. A distinção confirma o percurso consistente das cidades portuguesas nestes prémios europeus de referência em matéria de sustentabilidade urbana.

Os prémios foram criados pela Comissão Europeia para reconhecer cidades que se destacam na melhoria do ambiente urbano e que possam servir de modelo para outras. O título de Capital Verde Europeia destina-se a cidades com mais de 100 mil habitantes, enquanto a Folha Verde Europeia distingue cidades entre 20 mil e 100 mil habitantes. As candidaturas são avaliadas por um júri internacional com base em 12 domínios ambientais, que incluem as alterações climáticas, o desempenho energético, a qualidade do ar, a biodiversidade e a gestão da água e dos resíduos. As cidades vencedoras recebem um apoio financeiro de 600 mil euros, no caso da Capital Verde, e de 200 mil euros, no caso da Folha Verde.

Lisboa foi a primeira cidade portuguesa a conquistar o título principal, como Capital Verde Europeia 2020, assumindo o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2050 e de plantar 100 mil árvores ao longo desse ano. Anteriormente, Torres Vedras tinha sido distinguida com a Folha Verde Europeia 2015.

Em 2026, Portugal tem um duplo protagonismo. Guimarães é a Capital Verde Europeia, tendo sido reconhecida pelos resultados em sustentabilidade, pela forma como alia criatividade, ciência e dados e pela visão «One Planet City». Águeda partilha com Vaasa, na Finlândia, o título de Folha Verde Europeia, distinguida pela estratégia estruturada de sustentabilidade, pelas ferramentas digitais de participação dos cidadãos e pelo papel da arte e da cultura na transição energética.

Para a edição de 2028, foram recebidas  27 candidaturas, estando o Porto entre as cinco cidades finalistas ao título de Capital Verde Europeia. Estarreja foi reconhecida como um exemplo de transformação verde, por ter superado o seu legado industrial através de uma ação colaborativa que envolveu a comunidade local.

Estes resultados demonstram a capacidade crescente dos municípios portugueses para definir estratégias ambientais ambiciosas, mobilizar as suas comunidades e apresentar resultados sustentados em informação rigorosa, fatores decisivos na avaliação destes prémios.

É neste contexto que o Passaporte Climático das Cidades, iniciativa que a ADENE está a desenvolver, poderá assumir um papel relevante na promoção e no reforço da ação climática local. Ao reunir, de forma estruturada e comparável, informação sobre o desempenho climático e energético de cada município, o Passaporte Climático poderá ajudar as autarquias a conhecer o seu ponto de partida, a acompanhar a sua evolução e a dar visibilidade aos progressos alcançados. Poderá também contribuir para disseminar boas práticas e para preparar mais municípios para candidaturas a distinções como a Capital Verde e a Folha Verde Europeia, alargando a todo o território o caminho já percorrido por Lisboa, Torres Vedras, Guimarães, Águeda e Estarreja rumo à neutralidade carbónica.